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DIAS CINZENTOS.

Posted by Eduardo Gomes







Em dias nublados, o vento costuma soprar as mágoas escondidas atrás dos olhos. Logo, elas descobrem que a superfície do rosto parece tão sereno quanto um campo vasto, e nenhuma mais aceita a prisão apertada da garganta.

Nesses vãos, as nuvens impedem que o termômetro marque os mesmos graus rotineiros, faz com que as ausências sejam acentuadas. Os apertos de mãos e sorrisos padrões tornam-se péssimas ilustrações de um livro de boas maneiras.

Quando, finalmente, a noite chega para lhe tirar as amarras em formas de ponteiro, você percebe que a solidão vem lhe acompanhar. Ela jaz em sua frente, única testemunha dos seus lamentos, e fica ali, a cortar madrugada e ater-se a seu corpo para lhe proteger de qualquer companhia.
     
  Em dias cinzentos, as pálpebras pesadas selam o dia muito depois do seu fim. Talvez, esperando que o calor retorne no romper da manhã e empurre de volta as lágrimas para debaixo dos cílios úmidos.

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