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Imobilizado

Posted by Eduardo Gomes




O tilintar das correntes precede ao ruído opaco dos passos, é impossível enganá-las. Elas estão ali, ora presas aos pulsos, ora aos pés. Livres o suficiente para girar o punho, as mãos escrevem pedidos de socorros, gritos por ajuda no papel, tão altos que o rasgam, mas ninguém ouve.

O som dos metais enferrujados acompanha o desdobrar de bons sonhos para findá-los em seu momento mais sublime. Em outras oportunidades, silenciam para que pesadelos soem mais altos em noites sólidas e inquietantes.

Os pensamentos continuam a acender e produzir calor, mas o abismo insiste em devolver o olhar. Envolto na escuridão, fecho os olhos e permito que a respiração me faça companhia. Penso em dar um passo à frente, mas aquelas malditas as correntes continuam à espreita.

Enfim, a saída foi acordar. Sentei à beira da cama e finquei os pés no chão. Acendi a lanterna do celular e a escuridão não era impenetrável. Respirei aliviado. Foi só um maldito pesadelo, confessei para o quarto.

Levantei em direção à porta, com a mão estendida, e antes de chegar à maçaneta, um tilintar...

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