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CLAQUE!

Posted by Eduardo Gomes



Coloquei as minhas pernas na rua, sentei na calçada e deixei que muitas outras passassem. Quase precisei erguer a cabeça para saber onde terminavam certas pernas. Outras eram contempladas apenas com um golpe de vista de tão curtas. As apressadas quase atropelavam as que vinham com passos de turista.
Depois de catalogar tantos pares, avistei a Mentira aproximando-se rapidamente como sempre faz. Suas pernas eram realmente curtas, no entanto, também eram as mais belas que já vira. De salto alto, uma saia (ou cinto) curtíssima(o), cruzou em minha frente e passou tão perto que poderia tocar.
Os seus pequenos passos percorrem grandes distâncias. O estardalhaço de sua passagem ecoa silenciosamente entre boca e ouvidos durante anos e deixam o rastro de falsidade em suas pegadas.
O cruzar de tuas pernas não nos permite enxergar os ratos que ficam no seu encalço. De vez em quando é preciso que a Verdade nos dê um tapa estalado na cara para prestar atenção na máscara que esconde o rosto.

GLOIRE

Posted by Eduardo Gomes


As mãos forjadas em fogo bradam imponente no ar e colidem com o próprio peito para poder expulsar o som gutural da vitória. Dessa vez a dor não salgou as lágrimas que cascateiam o rosto, apenas limparam a poeira da descrença em sua blindagem.
Os joelhos curvam-se mais uma vez para equilibrar nas costas o peso da responsabilidade trazida pela glória. Então me levanto, para que o gesto não seja confundido com submissão ou agradecimento divino.
Nessa caminhada, o cansaço traz junto de sua sombra os sussurros que clamam para abandonar tudo. E a luz que se enxerga ao fim da estrada pode nos impulsionar para a chegada ou nos empurrar para as armadilhas.
O peso dos passos não deixa o andar vagaroso, torna-o firme e desafia o que está embaixo a sustentar-se. As faíscas de coragem que se espalham pelo terreno ardil ofuscam qualquer medo de outrora e trazem a certeza da vitória.