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Epílogo

Posted by Eduardo Gomes




Pela primeira vez, o símbolo de uma porta aberta significou a derrota. Sem a maçaneta para girar, o inesperado não me reservava mais surpresas. Fiz do sussurro uma escotilha, mas a luz te escondeu de mim.

Os lábios umedeceram procurando novamente o ‘mas’, seguido de apelos infundados. Eles ainda relutaram em aceitar os termos de rendição, porém num arremate silencioso selaram essa história sem começo.

À noite, os olhos vestiram as lágrimas reservadas para aquele momento. Dessa vez as mãos apenas fecharam-se em torno de si, numa solidão mórbida. Já não havia mais nada para alcançar com as pontas dos dedos!

Os passos repousavam derrotados, não precisavam andar em círculos procurando uma entrada, pois a porta aberta mantinha-os à distância. Vencidos pela transparência, os pés estavam no encalço das sombras novamente, longe de tudo.

Somente a pele – que eriça desejo ao toque dela – ainda mantém viva a esperança de um último afago. Porém, igual a uma viúva de um marinheiro náufrago, resta-lhe olhar para o vazio do horizonte.

1 comentários:

  1. Ilana Copque

    UAUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU. Esse meu amigo arrasa!!!

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