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MIROIR

Posted by Eduardo Gomes


Costas contra a parede, pressionadas por uma respiração ofegante. O calor pesava demais para que as minhas mãos pudessem evitar sua fuga desesperada entre os dedos. A inquietude dos meus pés marchava num ritmo ansioso, como se estivesse procurando algo mais firme.
Ao adentrar nesse labirinto, apenas olhei para as flores ao chão e esqueci de tocar as paredes de dor e angústia que sustentavam a leveza do seu ser. Agora cheguei até aqui, onde não queria estar, onde seus segredos repousavam serenos, escondidos da luz.
 Você me encurralou nesse canto. A sua face estava tão próxima que pude enxergar o seu lânguido rosto atrás da máscara. O vazio profundo dos seus olhos parecia um abismo a absorver tudo ao seu alcance; eles eram a janela por onde sua alma havia escapado.
Teus lábios selados regiam o tom do silencio. Imóveis, como duas portas que há muito tempo não se abriam, estavam na iminência permanente da sua voz bradar um grito de dor. Um suspense quebrado pela lágrima a escorrer pelo seu olho esquerdo desenhava no rosto uma linha que não poderia ultrapassar.
Não sentia mais medo quando a única lágrima pendia em seu queixo, prestes a cair. Antes de estender a mão na tentativa de ampará-la, notei que as marcas de solidão por debaixo da maquiagem de conversas vazias também me eram comum. Num susto, recuei minha mão, toquei o meu próprio rosto e percebi que estava umedecido pela lágrima que agora caía ao solo.

Pensei que me conhecia até encontrar-me perdido no espelho da minha consciência. Reflita.     

1 comentários:

  1. Mony

    Profundo! E lindo como sempre!

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